Depoimentos
Por muito tempo, eu achei que estava tudo bem... mas cada dia era mais pesado. Sou branca, loira, de olhos azuis, nascida e criada numa favela do Rio. Muita gente olhava pra mim e achava que, por fora, tava tudo certo... mas não sabiam da minha história. Minha mãe fazia programa escondido pra sustentar eu e meu irmão. Meu pai trabalhava em boteco, era um bêbado e sofria de problemas mentais. A confusão era diária, o medo também. Eu me calava, me encolhia, tentava desaparecer. A anorexia virou minha forma de fugir. Na AmerinRio, pela primeira vez, alguém realmente me enxergou. Lá não teve julgamento, nem cobrança. Me ouviram, me acolheram, me ofereceram apoio psicológico, afeto e tempo, tempo pra eu descobrir que merecia existir. Foi nas aulas, nas conversas, nos pequenos gestos, que eu encontrei segurança. Pela primeira vez eu pensei: talvez eu possa viver sem me punir. Hoje olho pra mim com mais ternura. Tenho fome de vida, de afeto, de futuro. E sou imensamente grata à AmerinRio por ter me ajudado a me reencontrar. Eles não só me ouviram. Eles me devolveram a esperança.
Quando eu era pequeno, vivia ouvindo que era feio. Diziam que eu parecia o 'Neguinho da Beija-Flor', e não era com carinho. Era pra zombar da minha pele, do meu cabelo, do meu sorriso largo e do meu nariz grande. Cresci acreditando que devia me esconder, falar baixo, ocupar pouco espaço. Mas aí vieram os livros. Vieram os professores que me enxergaram. E veio a AmerinRio, onde pela primeira vez me disseram que eu podia ser grande, e bonito por dentro e por fora. Hoje sou cardiologista. Salvo corações todos os dias. E o meu, finalmente, pulsa com orgulho. Não pela medalha no jaleco, mas por ter atravessado tudo isso sem deixar de sonhar. E quando alguém diz que lembra de mim de criança, eu sorrio. Porque eu também lembro, só que agora com ternura, que aquela criança preta, zombada, virou um homem que cura.
Por muito tempo, eu carreguei tudo sozinho. Fingir ser alguém que não sou me pesava mais do que qualquer outra coisa. Eu sorria por fora, mas por dentro me escondia. Crescer sendo diferente, numa família religiosa que não falava sobre isso, onde a justificativa para ‘meu jeito’ era a brincadeira ou o silêncio, me fez acreditar que amor próprio não era pra mim. Foi na AmerinRio que encontrei um lugar onde não precisava mais me esconder. Me escutaram sem julgamentos, me acolheram com respeito e carinho. Ali eu comecei a enxergar quem eu realmente era e a acreditar que eu merecia viver com dignidade. Com esse apoio, tive coragem de sair de casa, buscar meu espaço, começar de novo. Hoje moro em outro estado, criei minha própria família, do meu jeito, com amor e liberdade. Trabalho num banco, sou respeitado e, o mais importante, sou feliz com quem sou. A AmerinRio foi meu ponto de partida. Sem eles, talvez eu nunca tivesse dado esse passo. Toda pessoa merece encontrar um lugar onde possa florescer.
Por muito tempo, eu achava que o certo era trabalhar, sustentar a casa, fazer tudo certinho. E eu fazia, de segunda a segunda, sem reclamar. Mas enquanto eu suava pra pagar as contas, ela... ela tava com todo mundo. Com vizinho, com amigo, com gente que eu mal conhecia. Até com os namorados da nossa filha. E cada vez que eu descobria uma traição, parecia que um pedaço de mim quebrava por dentro. Cheguei a pensar que não valia mais a pena. Que minha vida não fazia sentido. Só trabalhava, sofria, e não tinha ninguém de verdade por perto. Foi aí que, num momento de desespero, eu conheci a AmerinRio. Cheguei calado, com vergonha, mas pela primeira vez alguém me escutou sem rir, sem julgar. Me fizeram entender que eu não estava sozinho, que dor de homem também importa. Com o apoio que recebi lá, consegui me reerguer. Hoje sou outro. Tenho paz, voltei a sorrir, voltei a acreditar que sou digno de amor, mas amor de verdade. A AmerinRio não salvou só minha vida. Salvou minha vontade de viver.
Eu só queria ser vista. Meu marido vivia grudado na TV, futebol era tudo pra ele. Jogo no domingo, debate na segunda, clássico na quarta… e assim ia. Mas quando o time dele perdia, quem sofria era eu. Ele ficava transtornado, quebrava coisas, gritava... e às vezes, me batia. Dizia que eu dava azar, que minha presença atrapalhava. Eu me encolhia cada vez mais, vivendo num silêncio que machucava. Na AmerinRio, encontrei a saída. Me inscrevi no curso de cabeleireira com apoio deles, quase escondida, só pra sentir que ainda existia. Cada aula era um respiro. Cada corte de cabelo era um pedaço meu se reconstruindo. Lá, ninguém me viu como vítima. Me viram como alguém com talento, com força, com possibilidade de recomeçar. Hoje tenho minha clientela, minha renda, meu cantinho. Não sou mais sombra de ninguém. Larguei aquele traste! E, se alguém me perguntar como tudo começou, eu digo: foi ali, na AmerinRio, quando peguei aquela tesoura pela primeira vez e decidi cortar o medo fora da minha vida.
Eu achava que tinha que agradecer por estar ali. Meu marido era dono de loja em shopping, vivia rodeado de jogadores famosos, gente influente. Eu? Vinha da favela, filha de gente simples, que mal sabia ler. Quando casei com o rico, achei que era sorte. Mas o que parecia conforto virou prisão. Ele me humilhava, me isolava… e começou a me agredir quando não conseguia se sentir ‘homem’. A impotência sexual dele virou minha culpa. Quando ele não conseguia, dizia que eu o envergonhava, que ‘uma mulher como eu’ não merecia carinho. Aos poucos, o silêncio virou rotina. Ele ficou cada vez mais agressivo. E eu, cada vez mais apagada. Um dia, entrei numa roda de conversa da AmerinRio, sem nem saber se podia falar. Mas ali ninguém olhou pra minha roupa ou pra quem era meu marido. Me escutaram com respeito. Me ajudaram a entender que violência não é prova de amor, e que dor não se justifica com status. Hoje moro longe dele. Tenho minha paz, minha renda, minha própria força. A AmerinRio não apenas me ajudou a sair de casa. Me ajudou a lembrar quem eu sou.
A casa sempre foi cheia, mas aos poucos virou silêncio. Tive duas filhas. Uma casou com homem rico, se mudou pra longe e parece que esqueceu que tem mãe. A outra… ficou por aqui, mas vive dentro do quarto, jogando videogame o dia inteiro, mesmo com 40 anos. Não conversa, não olha nos olhos, parece que também me deixou. E eu, que cuidei das duas com tudo que tinha, me vi sozinha, sem ninguém pra dividir o café ou a saudade. Foi a AmerinRio que me devolveu o calor humano. Entrei num grupo de bordado e, sem perceber, fui me abrindo de novo. Fiz aula de pintura, de memória… e até dancei! Conheci gente que virou amiga de verdade. Lá, ninguém me tratou como uma senhora esquecida. Me enxergaram como mulher, com história, com valor. Hoje tenho rotina, tenho risada, tenho gente que pergunta como foi meu dia. A AmerinRio me devolveu o convívio, a autoestima e, acima de tudo, a vontade de viver com alegria.
No começo, eu só ia na AmerinRio por causa do lanche depois da aula de reforço. O tio da matemática sempre separava um pão extra pra mim, e aquilo fazia diferença. Minha mãe trabalhava o dia todo como faxineira, e eu não tinha com quem ficar depois da escola. Acabava passando muito tempo na rua... via coisas que criança nenhuma devia ver. Já tava quase largando os estudos, porque achava que nunca ia entender nada. Mas fui ficando. Um dia aqui, outro ali... até que ganhei confiança. Consegui fazer um curso técnico de solda MIG/MAG e, graças a Deus, hoje tô empregado numa empresa de petróleo. Se não fosse aquele lanche, aquele cuidado e aquela paciência, talvez eu nem tivesse acreditado que dava pra chegar até aqui.
Na AmerinRio eu descobri um tipo de lugar que não machuca. Lá dentro, o som era diferente dos do tiroteio: o das vozes, das ideias, dos cadernos se abrindo. Bem mais bonito que os tiros que ecoavam lá fora. Era o único momento da semana que eu esquecia o barulho do morro. Eu vivia com medo. Teve uma vez que uma bala perdida atravessou a janela do meu quarto… fiquei em choque, travei por vários dias. Mas quando eu chegava naquela salinha, com gente que acreditava em mim, era como se o mundo lá fora parasse um pouquinho. Pela primeira vez, eu me senti protegida. E quando a gente se sente segura, começa a acreditar que pode sonhar.
Sempre fui chamada de ‘exagerada’, ‘desleixada’, ‘boa de garfo’. Mas ninguém via além do meu corpo. Sou mulher preta, gorda, vinda de família humilde e parece que o mundo já tinha decidido que eu não ia chegar muito longe. Na escola, era zoada. Nos relacionamentos, só aparecia gente que queria me esconder, não me assumir. E tudo isso me fez acreditar que talvez eu merecesse pouco. Até que um dia, depois de uma conversa na AmerinRio, resolvi entrar numa aula de educação física. Não era academia chique, era aula comunitária, com música, suor e alegria. No começo, doía, não só no corpo, mas na alma. Era ruim ser a mais gorda. Mas a cada passo, eu sentia que tava reencontrando minha força. Não era sobre emagrecer. Era sobre me reconhecer. Hoje faço exercício não pra caber em padrão, mas pra lembrar que eu sou potente. Tenho orgulho de mim, do meu corpo, da minha história. E se alguém me pergunta o que mudou minha vida, eu digo: foi quando parei de pedir desculpas por existir e comecei a me movimentar por amor, não por castigo. E tudo isso começou ali, na AmerinRio.
Ser mãe nunca foi fácil, mas eu achava que o amor dava conta. Criei meu filho com tudo que eu podia, mesmo faltando muito. Quando ele foi preso a primeira vez e mandado pro Degase, meu mundo desabou. Quando aconteceu de novo, eu me perguntei se tinha falhado. A dor de ver um filho atrás daquele muro é diferente de tudo, é uma mistura de culpa, medo e amor que não tem explicação. Na AmerinRio, me escutaram sem apontar o dedo. Lá, pude desabafar, chorar, respirar. Me mostraram caminhos pra ajudar meu filho, pra cuidar da minha saúde mental, pra não desistir. Me deram força pra ir nas visitas com mais esperança, pra conversar com ele sem só falar de erro, mas também sobre futuro. Hoje ele tá tentando recomeçar, e eu sigo acreditando. Porque mãe não desiste, e porque eu aprendi que não tô sozinha. A AmerinRio foi a ponte entre minha dor e a possibilidade de reconstruir. E isso vale tudo.
Durante muito tempo, eu achei que me prostituir era normal. Mais que isso, eu achava que era o melhor que eu podia conseguir. O dinheiro vinha rápido, os olhares eram constantes, e no fundo, eu pensava que isso era poder. Mas o que eu chamava de liberdade, era só uma forma de esconder a solidão, a vergonha, o vazio. Cada noite era mais uma ferida. Foi na AmerinRio que esse véu começou a cair. Me receberam sem julgamento, sem perguntas cruéis, só com respeito. Lá me fizeram enxergar que meu corpo não precisava ser moeda, que eu tinha muito mais pra oferecer. Me acolheram, me escutaram, e me mostraram que existe caminho digno, com afeto e recomeço. Hoje sigo uma rota diferente. Tenho orgulho de quem estou me tornando, de olhar no espelho e ver alguém que Deus escolheu. A AmerinRio não me tirou da vida: ela me deu uma nova.
Sempre fui barbeiro, profissão que aprendi com meu pai. Tinha meu espaço, minha clientela, meu orgulho. Mas as coisas começaram a apertar… aluguel subiu, equipamentos estragaram, clientes sumiram. Minha mulher morreu de câncer. E os meus cinco filhos? Só queriam saber de baile funk, farra e barulho. Enquanto eu tentava juntar os cacos, eles estouravam caixa de som na laje. Eu olhava em volta e pensava: onde foi que eu perdi o rumo? Foi a AmerinRio que apareceu quando eu já tava quase desistindo. Me chamaram pra dar oficina de corte, coisa simples, comunitária. E foi aí que tudo virou. Vi jovens se interessando, respeitando, perguntando. E voltei a acreditar no meu talento. Me deram apoio, ajudaram com material, com divulgação. E mais que isso, me lembraram que ainda tinha caminho pra mim. Hoje tô com a barbearia funcionando de novo, atendendo gente da favela e até de fora. Dois dos meus filhos começaram a me ajudar, passaram a se interessar. E pela primeira vez em muito tempo, a bagunça aqui em casa virou conversa. A AmerinRio não só me deu oportunidade. Me deu esperança de que ainda dava tempo de ensinar, de crescer e de viver com dignidade.
Trabalho como agente socioeducativo há anos. Já vi muita coisa: dor, revolta, silêncio. Mas também esperança escondida atrás de olhares desconfiados. Sempre achei que meu papel era orientar, dar firmeza. Mas foi na AmerinRio que entendi que eu também precisava escuta, cuidado e troca. Participei de encontros e oficinas que mudaram meu jeito de enxergar o jovem. Aprendi sobre escuta ativa, afeto, construção de confiança. Coisas que a formação técnica não ensina, mas que fazem toda a diferença na prática. Passei a chegar diferente nos atendimentos. E comecei a ver mudanças não só neles, mas em mim. Hoje sou um profissional mais completo, mais humano. A AmerinRio me ensinou que educar também é se permitir aprender. E graças a isso, sigo firme, com mais ferramentas e mais coração pra fazer a diferença.
Sempre fui pastor numa igreja simples, dessas com telhado velho e bancos de madeira. Pregava fé, mas por dentro lutava com o cansaço, com as contas, com a dúvida. Tinha dias em que só sobrava a esperança e mesmo ela andava frágil. Um domingo, depois do culto, recebi uma doação inesperada: cestas básicas com um sorriso e um abraço. Foi da equipe da AmerinRio. Eu chorei. Nem era pelo que veio, mas pelo gesto. Era como se Deus tivesse escutado o meu silêncio. A partir dali, começaram a me incluir em rodas, me oferecer apoio emocional, recursos pra minha comunidade, espaços de formação. Ajuda. Aprendi coisas novas, compartilhei minhas dores, renovei minha fé não só em Deus, mas nas pessoas também. A AmerinRio não só ajudou o pastor. Ajudou o homem por trás do púlpito. E isso, pra mim, foi milagre de Deus.
Eu achava que sabia de tudo. Vinha da Zona Sul, estudava nos melhores lugares, via as notícias e achava que entendia o mundo. Mas foi só quando entrei como voluntária na AmerinRio que eu percebi o tamanho da bolha onde eu vivia. Na primeira visita à favela, fiquei em choque. Não por pena, mas por vergonha de nunca ter enxergado de verdade. Conversei com mães que fazem milagres pra alimentar seus filhos, jovens que sonham mesmo com tudo contra, idosos que têm mais força do que muito executivo que eu conheço. Eu escutei histórias que ninguém conta no meu bairro. E foi ali que parei de 'dar aula' e comecei a aprender. Hoje, sou voluntária de coração. Não porque quero ‘ajudar os outros’, mas porque quero ser parte da mudança, e da escuta. A AmerinRio não transformou só quem eu encontrei lá. Transformou a forma como eu enxergo o mundo. E graças a isso, virei gente de verdade.
Eu ficava sozinha demais... casa quieta, ninguém vinha ver. Meus filhos têm a vida deles, e eu só com meus botões. Tinha dia que eu nem falava com ninguém. Só escutava o rádio e olhava pra rua. Aí vi um papel da AmerinRio e fui lá ver o que era. Cheguei tímida, meio sem jeito... mas me trataram bem, me deram atenção. Me chamaram pra ajudar, pra conversar com o pessoal. E eu fui ficando. Hoje todo mundo me chama de vó. Vó que escuta, que abraça, que ajuda. Vó de todos. Agora minha casa não é mais tão vazia, meu coração também não. Achei gente boa, achei lugar pra mim. E isso me deixou viva de novo.
Cheguei à AmerinRio quase por acaso, guiada por uma assistente social do posto de saúde. Lembro da primeira escuta: não era uma consulta, era cuidado. Alguém me chamou pelo nome, olhou nos olhos e perguntou como eu estava de verdade. Ali, algo mudou. Recebi orientação jurídica para conseguir guarda compartilhada dos meus filhos, apoio psicológico e uma vaga num curso de capacitação. Mas o que me salvou não foram apenas os recursos: foi a dignidade de ser tratada como alguém que tem valor mesmo antes de ‘dar conta’.
Eu sou a mulher vadia, a mulher de bandido. A prostituta. Fiquei desesperada quando disseram que meu companheiro não tinha mais volta. Fiquei sozinha quando ele foi morto, e todo mundo virou o rosto pra mim. Fiquei com um filho de seis anos com problema que repetia ‘cadê pai?’. A AmerinRio apareceu num dia em que eu não tinha mais nem pão, nem chão. Achei que iam me olhar igual todo mundo, mas foi o contrário: me escutaram com uma paciência que eu não teria. Levei meu filho pra terapia, ganhei orientação com os advogados, ajuda com alimentação e, mais que tudo, um espaço pra não ser só a mulher de ‘bandido’. Hoje, meu filho está na escola especial, e eu trabalho como auxiliar de cozinha num restaurante que conheci através do pessoal.
Sempre fui o ‘esquisito da quebrada: preto demais, alto demais, magro demais. Sonhava com passarela de modelo, mas tinha vergonha de sorrir, de aparecer. Quando disseram que eu era muito feio em uma agência de modelo, aquilo me marcou como ferro em brasa. Parei de tentar, comecei só a sobreviver. Cheguei na AmerinRio meio calado. Não sabia nem direito o que pedir, só que precisava de um jeito de alimentar meu filho e voltar a acreditar em mim. Me ouviram sem pressa, me enxergaram sem julgamento. Me deram ferramentas, curso, orientação. E foi assim que virei eletricista. Lembro do primeiro dia que subi num poste, uniformizado com meu colete. A mão tremia, o medo gritava, mas lá de cima eu via a rua inteira: gente passando, crianças brincando, o céu aberto. Pensei que ninguém ali sabia meu nome, mas a luz que eu acendia tocava cada casa. Era pouco, mas era digno.
Eu entrei nessa vida porque era o que tinha. Nunca estudei muito, nunca tive chance. Vi os moleque com grana, moto, respeito… achei que era isso. Comecei com coisa pequena, daqui a pouco já tava no meio do corre todo. Dinheiro vinha, mas junto vinha a tensão, o medo, a tristeza que eu nem sabia que tava sentindo. Só fui me ligar que aquilo não era vida de verdade quando conheci o bonde aqui. Cheguei meio desconfiado, cabeça cheia de ideia errada, achando que iam me esculachar. Mas foi diferente, tá ligado?. Me ouviram, me chamaram pra oficina, mostraram outro jeito de viver. Dava pra ganhar dinheiro trabalhando na moral. No começo achei estranhão, mas depois vi que era coisa boa. Passei a acreditar que tem como sair dessa vida. Hoje não sou mais do corre. Tô batalhando no trabalho, aprendendo umas parada que nunca imaginei. A AmerinRio não me fez virar santo. Mas me fez virar gente que até no culto vai.